Então toma!

Vou te dar! Vou tentar. Eu não devia, mas vou te dar ... explicações pra começar. Porque às vezes por mais que eu tente, eu não consigo explicar essa estranha necessidade de saciar minha fome, e o que me intriga no momento é estar faminta e não querer comer, é estar sedenta e não querer beber, é estar presente e não querer entregar-me. Não posso sentir, e por isso não posso receber seja o que for que tenham pra me dar. Por entre as frestas da janela do meu quarto entra um vento gelado fazendo um barulho tão peculiar aqui nestas bandas do sul, compondo um ruído que mistura-se a devassidão dos meus pensamentos pueris. Não há poesia nem encanto, não há canto também, faltam-me as escritas e as canções pra ilustrar o lirismo vazio que me toma agora por inteiro. É só sexo então e curiosamente não mais a falta dele. É esse meu jeito desastrado de escrever sempre a mesma coisa, linhas tortas em folhas digitais manchadas de sangue virtual. É a porra das ausências! Sempre é. Acusam-me violentamente de não cometer o ato. De não por minhas mãos por entre as coxas de uma qualquer, de não ser capaz de enfiar minhas mãos e a minha língua numa vagina qualquer, de não escorregar devagar por entre as costas macias de uma mulher, de não sentir todos os cheiros, experimentar todos os sabores, de não afogar-me em longos cabelos negros encharcados com meu suor,de não chupar os seios ou qualquer outra parte do corpo de uma mulher, de não sentir, de não entregar-me, de não gozar, de não amar. Nada é tão banal que não possa parecer novo! Despedi-me das palavras sutis. FODA-SE! Deixo fluir porque só o vulgar ousou em vão explicar-me. E quase conseguiu porque quando impulsiva eu sou uma puta! Não quero me perder em conotações pra descrever a beleza do sexo entre mulheres: "toques macios, olhares penetrantes ... blá blá blá ..."E dai? É sexo igual. Eu quero é as farpas de tudo isso. Pois prossigo sem entender-me. Com as mesmas sensações, as mesmas expressões e as palavras. Sempre elas. Só elas. Prossigo sem saciar-me de nada, e ausente de tudo eu não posso me assumir; mas preciso: “se eu não sei receber amor, vou doar o que então?” Toma meu sexo, e só.



















