Segunda-feira, Outubro 12, 2009

Então toma!


(Para ler ao som de Garganta - Ana Carolina)

Vou te dar! Vou tentar. Eu não devia, mas vou te dar ... explicações pra começar. Porque às vezes por mais que eu tente, eu não consigo explicar essa estranha necessidade de saciar minha fome, e o que me intriga no momento é estar faminta e não querer comer, é estar sedenta e não querer beber, é estar presente e não querer entregar-me. Não posso sentir, e por isso não posso receber seja o que for que tenham pra me dar. Por entre as frestas da janela do meu quarto entra um vento gelado fazendo um barulho tão peculiar aqui nestas bandas do sul, compondo um ruído que mistura-se a devassidão dos meus pensamentos pueris. Não há poesia nem encanto, não há canto também, faltam-me as escritas e as canções pra ilustrar o lirismo vazio que me toma agora por inteiro. É só sexo então e curiosamente não mais a falta dele. É esse meu jeito desastrado de escrever sempre a mesma coisa, linhas tortas em folhas digitais manchadas de sangue virtual. É a porra das ausências! Sempre é. Acusam-me violentamente de não cometer o ato. De não por minhas mãos por entre as coxas de uma qualquer, de não ser capaz de enfiar minhas mãos e a minha língua numa vagina qualquer, de não escorregar devagar por entre as costas macias de uma mulher, de não sentir todos os cheiros, experimentar todos os sabores, de não afogar-me em longos cabelos negros encharcados com meu suor,de não chupar os seios ou qualquer outra parte do corpo de uma mulher, de não sentir, de não entregar-me, de não gozar, de não amar. Nada é tão banal que não possa parecer novo! Despedi-me das palavras sutis. FODA-SE! Deixo fluir porque só o vulgar ousou em vão explicar-me. E quase conseguiu porque quando impulsiva eu sou uma puta! Não quero me perder em conotações pra descrever a beleza do sexo entre mulheres: "toques macios, olhares penetrantes ... blá blá blá ..."E dai? É sexo igual. Eu quero é as farpas de tudo isso. Pois prossigo sem entender-me. Com as mesmas sensações, as mesmas expressões e as palavras. Sempre elas. Só elas. Prossigo sem saciar-me de nada, e ausente de tudo eu não posso me assumir; mas preciso: “se eu não sei receber amor, vou doar o que então?” Toma meu sexo, e só.

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Recomeço (mais um ...)


Para minha Baby, que me fez escrever outra vez.

Já perdi as contas de quantas vezes fiquei longe daqui. Da beira do meu cais. Mas acredito que dessa vez fiquei tempo demais, fiquei longe como quem não conseguia mais voltar, e quase que não voltei. Durante esse tempo, o ir e vir das ondas na beira do cais me recarregava devagar, eram tubos de oxigênio essenciais para a minha existência naquele momento quase que pueril. Em pouco tempo vi o restinho de amor que ainda morava em mim esvaziar-se com uma velocidade que me assustava. A certeza do “não quero mais” então misturava-se com beleza do novo. Embriagada e vermelha beleza que me deu a mão, que me levou pra dançar, que recusou minha flor, que coloriu minhas fotos e me devolveu o ar. Eu que já sabia como era “uma casa sem um anjo” descobri como era então eu sem o cais. Como pode o vazio nos preencher tanto? A ausência de tudo o que não vivi me dilacerava inteira. Assim, inerte, deixei que outros olhos então buscassem por outras bocas, e outros sussurros invadissem meus ouvidos. Me permiti. Enlouqueci, desejei, transei, beijei,fugi. Eu quis! Eu quis ficar e fui convidada a me retirar. Eu quis receber e fui induzida a doar. Eu quis caminhar e por instantes descansar. Eu quis amar e não consegui. Voltei. Pra mim, pro meu lar, pra minha música... e de certa forma, voltei de onde eu jamais deveria ter saído ... das minhas palavras, da beira do meu cais.

Domingo, Março 29, 2009

Loucura (entre o inferno e o paraíso).


De todas as músicas que ouvi, todos os textos que escrevi, faltam-me palavras e sons capazes de descrever-me os sentidos. Sintética astúcia que me corrompe agora. Devorada, estrangulada, arrebentada, corrompida ... largada! De todos os lugares que eu desejei estar, só lembro-me do que não desejei sair. Na mesma proporção que me é escasso o ar e excessivo o aperto no meu peito, choro. Sem cigarros, sem vinho, sem vinil, sem caneta, sem papel, sem som, sem a luz do abajur no canto da sala ... sem nada. Já não há mais língua por entre as pernas e nem um pedacinho do corpo em boca nenhuma. O que era belo já não sorri mais e o que era lúcido escorre loucura por entre os dentes sem provar ninguém. Enlouqueço devagar e intensa diariamente. Subo, desço, vou e volto de lugar nenhum. O vazio está me deixando surda e o nada me deixando cega. Mas meus olhos ainda tocam as marcas das queimaduras agora presente em minhas mãos. Pequenas porções densas dos meus sentimentos escoam pelo ralo e perdem-se pelo esgoto onde me enfiei, sangrando. Minhas lágrimas são capazes de limpar a faca suja cravada no meu peito e acorrentar os meus pés. A dor não tem dimensão e desforme corrói minhas vísceras envenenadas com o gosto da perda. A sutileza fria cospe na minha cara o que não foi engolido. Nojo. Repulsa. Miséria. Maldade. Vergonha. Faminta, alimento-me com os restos do amor rejeitado que construiu um discreto muro ao meu redor. Protejo-me então com as cores do que eu mais desejei e com os traços que eu não pintei. Respiro os caminhos que eu não mais passarei e os carinhos que eu não mais terei. Não escrevo mais cartas e não compro mais flores. Não mando presentes mas faço laço de fita vermelha nas flores do meu jardim. Eu danço. Procuro minha boneca de pano pra brincar comigo. Ela me abraça. Sorrio. Sobrevivo. Suspiro. Desejo. Esqueço. Amanheço e adormeço amando ... mas nem sei mais quem.

"Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz ... há meros devaneios tolos a me torturar..." (Zé Ramalho)

Quarta-feira, Março 25, 2009

Olhos Vermelhos


"Porque dor não se explica, só se sente ... por isso, música ... que ao menos faz bem pra alma" - Elis.


Os velhos olhos vermelhos voltaram
Dessa vez
Com o mundo nas costas
E a cidade nos pés
Pra que sofrer se nada é pra sempre?
Pra que correr, se nunca me vejo de frente

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez

Os velhos olhos vermelhos enganam
Sem querer
Parecem claros, frios, distantes
Não têm nada a perder
Por que se preocupar por tão pouco?
Por que chorar, se amanhã tudo muda de novo?

Parei de pensar e comecei a sentir
Nada como um dia após dia
Uma noite, um mês
Os velhos olhos vermelhos voltaram de vez


(Olhos Vermelhos - Capital Inicial)

Nada mais será como antes, nem em mim, nem em lugar algum onde eu esteja.

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

Mais uma vez


Vou retornando devagar, na mesma cadência em que parei, lá atrás!
Na escassez de palavras próprias, pensamentos corrosivos, mas não na ausência de sentimentos ... música!
Porque esta interpretou-me por muito tempo, e hoje cumpre o exímio papel que lhe compete, o de revisão, de retomada. Com o ofício de manter um elo com coisas que senti e que ainda sinto ... tornando uniforme palavras soltas, sonoras e adornadas por seus acordes ... ou simplesmente capazes de falar por mim.

(Elis, 13/01/09)


Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...
Tem gente que está
Do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar...
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia
A gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo...
Quem acredita
Sempre alcança...
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...
Nunca deixe que lhe digam:
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos
Nunca vão dar certo
Ou que você nunca
Vai ser alguém...
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia
A gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo!...
Quem acredita
Sempre alcança...

( Mais uma vez - Renato Russo)

Domingo, Outubro 26, 2008

A miséria do mundo.



(Porque a Modernidade Reflexiva vai além das fronteiras sociológicas ...)


“Só deixo minha alma, só deixo meu coração, na mão de quem ama solto” ...tocava ao fundo, enquanto eu remoia um livro gigante de Bourdieu intitulado “A Miséria do Mundo”. Este livro trata de um ensaio sociológico que aborda a exclusão social, entretanto, observei que uma exclusão é capaz de ir muito além de um contexto sócio-econômico, por exemplo. E sem abrir ao menos uma página do livro, deixei com que a música que tocava acessasse uma a uma, as páginas que estão em constante escrita dentro de mim, para que eu fosse capaz de ler com clareza que nem tudo que parece é. Me parece cômodo admitirmos que enquanto seres humanos estamos em uma constante transformação, sofrendo uma adaptação à sociedade e ao cotidiano em que estamos inseridos, mas me pergunto o que fazer com as mudanças? Elas encontram-se por acaso em uma pasta renomeada "Rascunhos" dentro da sua HD? Nem tudo está exposto, e esse fato não difere as coisas escondidas das coisas guardadas. Parece difícil entender que nem todas as pessoas possam fazer um carinho na outra em público porque ambas pertencem ao mesmo sexo, por exemplo, assim como também me parece incrédula a suposição de que o preconceito está guardado na pasta “lixeira”. Entre os meus arquivos existem indícios do pecado e do proibido por salvar um amor homossexual. Nos meus antigos registros, amor nem teria uma classificação, estaria ali, jogado na pasta "Amor" e pronto! Hoje têm: “Área Restrita!” E digite a senha para ter acesso! É uma classificação que me impede de estar em uma mesa de bar, por exemplo, e não poder conversar com as pessoas da mesa sobre coisas banais de um namoro! Por quê? Porque antes de contar qualquer besteira do meu cotidiano tenho que tomar o cuidado de não chocar ninguém. Meu amor não é simples. Não é banal e muito menos comum. Por este motivo não está inserido no cotidiano. Não está salvo em qualquer pasta, ou não possui a extensão dos demais arquivos, e isto impossibilita qualquer tentativa de difundi-lo com os demais usuários. Como posso eu então, deixar meu coração e minha alma na mão de quem ama solto, se eu mesma não posso ser livre pra amar? Enquanto tento restaurar os arquivos jogados na "lixeira" ou interpretar os guardados na pasta "rascunho", sigo online, retomando meu tempo para a interpretação de “A Miséria do Mundo”, que pra mim, vai além de qualquer luta de classes em uma sociedade civil; é sim uma questão sociológica de exclusão social, mas também de uma exclusão pessoal, acima de tudo.


Terça-feira, Outubro 14, 2008

Conversa de Anjo.



(Para o meu outro amigo Anjo ... porque às vezes, voar é preciso)

Ele tinha uma coisa assim, mágica! Dessas que a gente não explica, só sente. Sim, sente e pronto! Mas não era algo limitado que fosse possível sentir de uma única vez, e deu! Era algo infinito, que se mostrava pleno enquanto se estivesse por perto. Forte... E belo eu diria. Eu podia ver a beleza da coisa toda em volta dele, inteira, e isso o deixava intrigado. E me deixava intrigada. Ele era diferente de todas as pessoas que eu já havia conhecido, dotado de uma sensibilidade que praticamente transformava em essência sua áurea. Era tudo perceptível, eu podia sentir, ver, e ouvir... Tudo ao mesmo tempo. Lembro de um dia ter dito a ele que ele não era desse mundo, que pra mim ele era um “anjo” com alguma missão especial na terra e rimos disso. Descontraídos como quem ignora um conhecimento tamanho por mera distração ou necessidade de misturar-se ao saber dos demais, celebrávamos a casualidade do nosso encontro e o positivismo que nos absorvia sempre que parávamos de conversar às 11:11 da noite pra mentalizar coisas que não estão a todos os alcances, pra emitir energias de uma forma pura e intensa, capaz de canalizar o todo através daquele portal que abrimos sem pedir licença aos astros. Mas o fato é que além da coisa toda, eu podia ver as suas asas, bem ali, prontas pra ruflar, cintilando o branco bem aos meus olhos. E quando eu disse isso a ele, ele perguntou-me como poderia eu, ver todas essas coisas que vejo nele, e mais que isso, como poderia eu afirmar que ele era detentor de algo que se sente e não se explica? E... “Asas”?
E sem que me deixasse responder uma única palavra, respondeu-me:
“- Se és capaz de ver as minhas asas, é sinal que tu as têm também, somente um ser com tamanha sensibilidade seria capaz de reconhecer um semelhante”.
E sem deixar que nossas asas transparentes se tocassem... Sorrimos e nos abraçamos... Até a próxima vez!
"Vou consertar a minha asa quebrada e descansar..." (R. Russo)

Sábado, Setembro 27, 2008

A espera


Fiquei tanto tempo longe daqui, que agora, o que me parece, é que estive sim, longe de mim mesma ... já que é aqui que eu me passo a limpo, que eu me interpreto, que eu me compreendo. Acredito que neste momento ainda estou distante de mim, evitando qualquer tipo de compreensão ... de interpretação e por isso, na ausência dos pensamentos, não componho ... apenas ouço ... amo e espero!
" Neste processo, o amor tem me mantido viva..."

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára...
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa, a vida é tão rara...
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...
Será que é tempo que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara ...
Tão rara...

(Paciência - Lenine)

Domingo, Setembro 07, 2008

Morango com chocolate


Meu amor é difícil não querer mais após cada final. Os beijos escondidos já não são suficientes e as carícias e as promessas parecem escassas perto do que eu almejo. Eu quero um plano: deliciosa brincadeira pervertida e excitante, cuidadosamente arquitetada a cada vez que a nossa necessidade misturar-se com o nosso desejo. É que a brincadeira ficou mais doce. A paixão guia cada fuga, proporciona cada oportunidade, origina cada momento antes inexistente e que agora faz parte da nossa deliciosa rotina inventada. Meu desejo misturou-se com o todo e provei tudo! Sinto o gosto de morango com chocolate derretendo na boca antes do beijo que adorna a imagem dos nossos corpos iluminados pelo chama que nos envolveu. Eu te amo! Todos os dias. Te amo quando lembro de cada beijo, de cada toque, de cada carinho, de cada olhar, de cada vez que deliciosamente ganhaste o jogo (me fazendo rir sempre).
Depois de incontáveis discussões de relacionamento e de outros incontáveis momentos felizes eu sinto a mesma necessidade do "estar perto" o tempo todo, capaz de confundir-se com o mesmo desejo de "querer-te" o tempo todo. Faz um ano e quatro meses que teu beijo foi a promessa de me fazer mais feliz ... e há exatos um ano, nos permitimos um pouco mais...
Hoje eu vejo que o amor e o tesão ainda estão enamorados e andam de mãos dadas ao beijarem-se num desses fim de tarde quaisquer. Eu seria capaz de listar aqui tudo que faz parte dessa apaixonante missão que é te amar, mas eu já fiz isso tantas vezes, então, prefiro terminar assim este breve texto, em vagas palavras que resumem o meu sentimento por ti, pra sempre, pra ti, sempre.

Por tudo ...pelo meu amor e pelo teu ... parabéns, pra nós!


“De tudo o que ficou guardo um retrato teu, e a saudade mais bonita” (Renato Russo)

Domingo, Agosto 24, 2008

Rascunhos (depois das releituras).


Busquei em todas as frases, músicas e textos, algum trecho que pudesse expressar o que estou sentindo sem causar espanto algum. Algo que tivesse aquele efeito anestesia e só. Pensei que ao livrar-me do inédito, o impacto seria sempre menor. Incrédula! Depois de tantas releituras preciso expor-me assim, em rascunhos de mim mesma? Eis me aqui! Eu que ainda tenho tanto que escrever, eu que ainda não cheguei na última frase da minha última página “porque a porta do nosso amor estava se abrindo, e os pés que irão por esse caminho, vão terminar no altar, e eu só queria me casar!” Queria não, quero ainda! Mas antes preciso entender que "se sentir tesão e amor pela mesma mulher é infinito", estar diante dela completamente exposta aos meus desejos e medos é maior ainda! Precisei exatamente de um fim de semana, um filósofo, um bibliotecário, três cientistas sociais, dois litros de vinho, cinco garrafas de cervejas, três cigarros, duas maconhas, uma festa bicho grilo, uma hora no Embaixador, um livro do Caio, oráculos, anjos, santos e três pizzas pra entender que eu também cometo erros. É tão difícil compreender a grandeza do que se sente, sem que se sinta vontade de morrer quando comparamos com a grandeza do que podemos perder. Difícil, mas não impossível. E que fique claro: - é dificílimo medir e a energia de um catalisador. Eles podem te ferir, mas na sua essência são belíssimos! E se a regra agora é fazer o que me faz bem, é preciso que se deixe dito que em nenhum momento deixarei de amar. Não ainda, ainda não tentei tudo. Tentarei tudo por ela. E isso não está errado. Não pode estar errado meu jeito de amar. Eu sou feliz em vê-la feliz e vai ser assim sempre! Sou passional por natureza, já declarei isso aqui: - eu a amo! Amar me faz bem! Ela me faz bem! E ela sempre vai ser a minha saudade mais bonita. E então, aprendi isso, aos trancos, porque doeu, assim, aos tantos. Forte demais, intenso demais. Meu coração é minha casa e agora procuro incansável pela saída de emergência da minha sala de estar. Preciso destravar a porta que me aprisiona em mim. E aonde vou me esconder, então? Fico aqui, não vou sair, não agora, ainda não. Continuo na mesma sala de estar, onde me pergunto se tenho ou não o direito de escolher a cor das paredes...
- e elas seguem brancas meu amor, as paredes da minha sala seguem brancas ... melhor assim!

“Atrás do veneno das palavras, sobra só o desespero de ver tudo mudar ... talvez até porque ninguém mude por você” (Capital Inicial)

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Releituras



Inventei meu cais pra rascunhar tudo o que senti até aqui, para que possíveis releituras sejam feitas no momento certo. Para libertar-me de todas as prisões do desconhecido que corrompia os meus desejos no escuro. Para ir além do ato de abrir o mesmo livro e ler o mesmo trecho, todos as noites antes de dormir, buscando aquele efeito analgésico. Para ser capaz passar-me a limpo, com todas as correções, pontos e vírgulas que compõem cada frase da minha vida. Para que eu pudesse aprender o jeito certo de viver um dia de cada vez e a absorver a parte mais bonita de tudo que eu tenho bem na minha frente. Minhas escritas me fizeram compreender que se o pecado mora ao lado, a felicidade é a minha vizinha dos fundos, eu é que nunca tinha ido até a casa dela pra me apresentar. E isto é fato! Durante toda a minha vida haverá milhões de clichês pra qualquer fase apaixonada que eu me encontre. E eu estou. Eu que andei por muito tempo com passos soltos de all’star, sem rumo ou direção, experimentando todos os tropeços, provando todos os gostos, sentindo todas as sensações que caiam em mim dilacerando tudo. Eu senti tudo. Experimentei tudo. Mas não significa que fiz de tudo. Fiz muito pouco. Apenas digo que vivi todos os sentidos. Vi toda a beleza, senti o cheiro de todas as peles, ouvi todos os desejos, morri em todos os toques e renasci em diversas línguas, e era simples... Potencializar todos os sentidos com o que se tinha bem aos seus pés. Sexo e só! Nunca amei, só gozei. Depois só amei e nem transei, e outras vezes nem um nem outro. Até hoje ... até agora, que surpreendentemente me peguei amando e desejando a mesma mulher. Sentir tesão e amor pela mesma mulher é infinito. Então sigo meu caminho. Por entre palavras, os meus passos ainda seguem soltos, mas com uma força gigante. A mesma força capaz de fazer o sol nascer todos os dias pra iluminar a estrada que por muito tempo percorri às escuras, pra me orientar em todas as buscas que fiz sentada ali na beira do cais não inventado, procurando o norte que se mostrava embaçado pelas minhas lágrimas capazes de aquecer meu rosto frio, meu corpo frio, escasso de sangue por um dia ter amado demais, e em vão. Das releituras que faço, guardo a saudade bonita de tudo que me fez bem e a densidade de tudo o que me fez mal. Então me revelo assim, A P A I X O N A D A. Com a sensação absurda de ter a certeza de querer ficar com alguém pro resto da vida, porque depois de tantas escritas, de tantas leituras, vou a direção da minha última frase, aonde enfim, vou pedi-la em casamento.




Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Amar é ...


Receber declarações em um olhar e ser capaz de devolvê-las num sorriso.
Ficar com vontade dela em um toque e explodir em um beijo.
Fazer carinho e ter crises de carências sem dizer uma palavra.
Ligar, mandar msg, falar no msn e ainda chegar na aula dizendo que está com saudade! Passear com nossas mãos dadas dentro do mesmo bolso.
Olhar pros lados em uma rua escura antes de beijá-la e pensar: “azar do goleiro”!
Entender que um banheiro não é tão ruim assim.
Entrar em uma festa e passar metade dela tentando não dar bandeira.
Entrar em uma festa e passar a outra metade dela morrendo de ciúmes.
É dar “pitis” históricos quando alguém achá-la uma gata bem minha cara (e isso é uma constante).
É não entender que “meu ciúme é o cúmulo. É o acúmulo de dúvida, incerteza de mim mesma, jogado como lama anti erótica no desejo mais intenso de ficar com ela ... e eu não to a toa ... mas ela é muito boa!”
É escrever cartinhas, cartões, comprar flores, presentes, bombons e outras tantas coisas capazes de causar diabetes em açúcar.
E receber todas essas coisas capazes de causar diabetes em açúcar.
É topar indiadas históricas por R$ 16,00 ( agora subiu, é R$ 17,00) pra poder ficar a sós.
É querer dançar com ela a minha música preferida.
É querer transar com ela ao som da minha música preferida.
É dar bafo ... definitivamente! Quem ama da bafo!
É querer entender o porquê de tanta briga com data marcada no calendário ( maldita TPM).
É entender que ela gosta de mim assim: leve, lírica, quase poética e assumidamente apaixonada!
É perdoar qualquer coisa e fazer tudo pra que ela se sinta feliz.
É acordar na madrugada do dia em que comemoramos 1 ano e 3 meses de namoro pra mudar meu blog ( porque ela prefere assim). Escrever este texto pra declarar que ela me faz feliz esse tempo todo e dizer: Eu te amo!

Meu amor, receba meu “canto de alegria”:
“gosto quando você encosta ... gosto do que você gosta ... eu posso te levar ...”
Eu te amo.

Sábado, Agosto 02, 2008

O Retorno (Viajei).


Vou tocar meu instrumento preferido.
Vou compor um samba de bossa ou um rock indecente com sexo barato.
Vou encher meu copo com vinho e fumar de tudo.
Vou trepar com a densidade dos meus desejos românticos.
Vou me rabiscar suja e nada poética.
Vou sufocar noite após noite e a cada amanhecer declarar-me apaixonada pela mesma mulher ... e assim eu vou voltando e vou gozando ... devagar.



Viajei
Ligado num segundo
No seguinte, desliguei
Do que eu ia dizer
Divaguei devagarinho, evoluindo
Num carinho teu
Perdido a me perder
Mar adentro, noite afora
Agora, amor
É hora de querer
Dessa vida a proa
Sem sentido, à toa
As ondas de carinho
Levaram as palavras
Mas eu sigo indo
As ondas são caminhos
Já não sei
Do tanto que eu diria
O quanto que me dispersei
Não quero nem pensar
Viajei
Viagem boa
A gente não enjoa de esquecer
Que um dia vai voltar
Mar adentro, noite afora
Agora, amor
É hora de ficar
Nessa vida à toa
Sem sentido a proa
As ondas de carinho
Levaram as palavras
Mas eu sigo indo
As ondas são caminhos
Viajei, viajei
Viajei, viajei

(Viajei - Katia B.)

Quinta-feira, Julho 03, 2008

Tem alguém aqui querendo melhorar o seu dia.


"Por saber que textos, como as pessoas, são vivos e sempre podem melhorar na sua contínua tranformação" Submeti "Tem alguém aqui querendo melhorar o seu dia" à uma pequena revisão. Nada em sua estrutura foi modificado, apenas coloquei algumas palavras e extrai outras, para que esse texto escrito em dezembro de 2006 se fizesse por si só, porta-voz de tudo que neste último mês eu não escrevi. Tudo que eu descolori em mim, tudo que eu não ouvi e que infelizmente ... eu não senti.



Tem alguém aqui querendo melhorar o seu dia.

(Dedicado a todos(a) que encontram um tempinho durante o seu dia pra vir aqui espiar-me)


Quando teu celular despertar na melhor parte do teu sonho, não deixa que um palavrão impulsivo se torne a primeira palavra do teu dia.
Quando enfim parares de brigar com o “soneca”, não pise nas flores caídas ao chão presentes no caminho da tua cama até o teu chuveiro.
Quando a água cair sobre teu corpo ainda sonolento, fecha os olhos e cuide-se pra que ninguém te espie sem roupa nas águas cristalinas desta cachoeira.
Quando teu cavalo te trouxer de volta ao quarto, tira todas as tuas roupas do guarda roupa antes de pôr sua coroa na cabeça e começar a reinar.
Quando saíres, Cante! Isso mesmo! Deixa que tuas músicas preferidas te levem ao teu destino. Quando chegares, sorria! Aquela pessoa que convive com você no fundo agradece, e na verdade, sorri também.
Antes de voltar pra casa, dance! Dance a sós no meio da sala com o volume da tua música preferida no máximo, dance com aquela pessoa que está ao seu lado ou na sua memória! Ou dance com quem quiser, com quem souber, ou não. Tanto faz! E é sempre melhor assim.
No caminho, pare e junte uns trocados pra comprar seu doce preferido.
Se encontrar alguém menos favorecido que você nas ruas, não blasfeme achando que solidariedade e caridade abrem as portas pro céu. Abra você mesmo as portas aqui mesmo.
Pare naquele barzinho que está na tua rota e peça uma bebida, ou qualquer outra coisa que se queira. A pressa de chegar em casa é só o desvio da vontade de estar em outros lugares. Neste caso fique ai e acenda mais um cigarro. Mas pare antes do último.
Se estiver só ligue pra alguém, se não tiver crédito ligue a cobrar. Se estiver sem bateria escreva um bilhetinho num guardanapo de papel, mas nao esqueça de criar uma oportunidade de entregar. E que seja breve! Se estiver acompanhado(a) ... beije.
Mude o seu trajeto, pare em outro lugar, procure outras camas e transe. Mas se ir direto pra sua cama, procure transar também.
Quando fores dormir, peça licença às estrelas e solicite-as que diminuam seu brilho, já que agora você deve estar com sono. E também não deixe a lua insistir, isso é valido pra ela também.
No outro dia quando acordares debocha da tua rotina e conte piadas com os seus problemas, para que de uma outra forma, tu faças tudo outra vez.


(Se você sorriu no fim desse texto, valeu a pena voar).

Segunda-feira, Junho 23, 2008

Um brinde ...


Mesma cor, mesmo sentimento, outro espírito! Sem textos, sem som, sem frases, então ... apenas um brinde:


" Um brnde ao encontro do erotismo com a sensualidade"
... e até a próxima vez ...

Quinta-feira, Junho 19, 2008

Tempestade




- Sem textos e sem som ... frase então!


" Cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais ... eu só queria ser feliz. Gorda, burra e completamente feliz."
(Caio Fernando Abreu - Os sobreviventes)
- Agora fudeu!

Terça-feira, Junho 17, 2008

Acorrentada


Minhas mãos estão presas aos textos densos, às poesias líricas, aos amores perfeitos e às paixões ardentes que descrevo aqui. Esgotou-me o bom senso, o bom humor, a beleza e o encanto do amor em todas as formas que se completam literárias e uniformes por entre as minhas escritas. Soubrou-me o amor real, além das linhas, letras, pontuação e parágrafos! Sobrou-me as definições homônimas de tudo que eu não ousei dizer. Sobrou-me os rabiscos feitos por mãos acorrentadas pela força do proibido, do escondido, do "ir-remediável". Sobrou-me os beijos que recebi e os acordes das canções que pretendo compor. Na ausência da escrita, ouço. E dos meus restos ... respiro.

Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde
Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal
Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora
Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é por incidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais
Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal
Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto prá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas
O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes
Agora só artesanato:
O resto são escombros
Mas, é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio 38
Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
Chega, vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol
Num copo d'água

(A Montanha Mágica - Legião Urbana)

Sexta-feira, Junho 13, 2008

Gritos


" Eu ia gritar agora, mas resolvi deixar tudo como está, pra que eu não esqueça dos poemas nos meus olhos, dos gemidos no meu ouvido, dos toques na minha pele, dos beijos na minha boca e dos passos lentos em português de Portugal. Ao menos até libertar-me das minhas correntes, calo-me! Grito semana que vem."
Aconteceu... e por me teres feito cego, recordo o sabor da tua pele e a calor de uma tela que pintámos sem pensar. Ninguém perdeu enquanto o ar foi cego despidos de passados, talvez de lados errados conseguiste me encontrar. Foi dança, foram corpos de aço entre trastes de guitarras que esqueceram amarras e se amaram sem mostrar. Foi fogo que nos encontrou sozinhos e queimou a noite em volta, presos entre chama à solta, presos feitos para soltar...Estava escrito e o mundo só quis virar a página que um dia se fez pesada. E o suor que escorria no ar e o calor dos teus lábios, inocentes mas sábios... No segredo do luar. Não vai acabar, vamos ser sempre paixão, vamos ter sempre o olhar onde não há ninguém. Dei-te mais...! Valeu a pena voar...Estava escrito...E a noite veio acordar a guerra dos sentidos travada no céu. Nem por um segundo largo a mão da perfeição do teu desenho e do teu gesto no meu...Foi como um sopro estranho......aconteceu...Eras noite em mim,és fogo em mim. Eras noite em mim.

Pro meu amor ...
(Fogo e Noite - Toranja)

Quinta-feira, Junho 12, 2008

Aos amantes.

( Declaração ao amor cego, surdo e mudo)
Dedicado "Aos amantes" ... pois quando faço esta dedicação, estou incluindo uma grande porcentagem de pessoas. Pois no sentido literal da palavra, basta amar pra ser amante. Independente de amar junto ou separado é amor da mesma forma. Todo mundo conhece alguém que ama alguém. Ou todo mundo ama alguém. Àqueles que dizem que não amam, têm um “te adoro” guardado no peito (um que seja bem discreto, ou outros ainda mais escandalosos). Tem os que guardam um carinho muito especial, um amor incondicional, ou qualquer outro tipo de amor que às vezes não se converte nos relacionamentos convencionais. É sobre isso que venho breve discorrer aqui, sobre esses amores não convencionais, quase incondicionais( as vezes são sim), com um “tantão” de “te adoro” guardado no peito, misturado com um “ eu te amo muito”. Feliz dia dos Namorados! Pra essas pessoas capazes de amar o outro ou a si, ou ambos. Pros que amam acima de tudo, Pros que vivem, pros que choram, pros que sorriem. Pros que correm todos os riscos, pros que fazem todas as loucuras, pros que tornam-se passionais, intransigentes, loucos e incoerentes. Pros apaixonados. “Pros que vivem no limite, pros que têm como certo, o declarado como proibido, o errado”. Pros que tentam sobreviver, pros que tem vontade de passear na rua com um “amor vitrine”, pros que querem beijar em público, pros que querem fazer carinho e pegar na mão pelo simples fato de contemplar o outro e guardar pra si a beleza do momento bem à sua frente. E que mal há em que isso possa ser visto, ouvido, falado? Amor pra que se possa sentir ... tudo! Bem grande e bem à sua frente. Por inteiro... sempre.


FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

Quarta-feira, Junho 11, 2008


" ... É que hoje acordei e pensei na intensidade das entregas, na essência de estar junto e principalmente, na plenitude da coisa toda, por inteiro."



Não falei contigo com medo que os montes e vales que me achas caíssem a teus pés...
Acredito e entendo que a estabilidade lógica de quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és...
Saudade é o ar que vou sugando e aceitando
Como fruto de verão nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
Que num dia maior serás trapézio sem rede a pairar sobre o mundo em tudo o que vejo...
É que hoje acordei e lembrei-me que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste que o teu destino foi inventado por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
De sincronização do coração
São leis como paredes e tectos cujos vidros vais pisando...
Anseio o dia em que acordares
Por cima de todos os teus números
Raízes quadradas de somas subtraídas
Sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida um ciclo vicioso
Harmonioso ao teu gesto mimado e à palma da tua mão...
É que hoje acordei e lembrei-me que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua numa chama minha e tua.
Desculpa se te fiz fogo e noite sem pedir autorização por escrito ao sindicato dos deuses...
Mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei como refúgio dos meus sentidos
Pedaço de silêncios perdidos que voltei a encontrar em ti...
É que hoje acordei e lembrei-me que sou mago feiticeiro......nela te pinto nua,
Nua numa chama minha e tua.
Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém...
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.

(Carta - Toranja)